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Mostrando postagens de março, 2023

O Relógio do meu pai

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                                                                                     Maura Espinheira Avena                                                                      (Dedicado a meu irmão: Antônio Itamar Espinheira Filho) O relógio do meu pai parou  Talvez para que eu pudesse enxergar o presente Tudo é contemplação neste tempo Onde a vida se fez dona da eternidade  O Relógio do meu pai parou No tempo da memória, seus olhos me olham e miram a pintura Enquanto seu corpo se aproxima e se afasta da obra para pousar no tempo do sentir Tudo é criação e renovação, alma e coração  Tempo...

Tia Olti: uma crônica da pandemia

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    Tia Olti era a mais velha dos 10 irmãos da linha paterna, meu pai e minha tia, a que me criou, sendo os últimos na escadinha. Tia Olti morava numa casa pequena, longe dos demais irmãos, num bairro afastado, sendo casada com tio Bernardo, dito ser ruim, mas certamente muito feio. Isso eu lembro. Não teve filhos. Contudo, com certa regularidade, devíamos ir visitá-la em sua casa, pois me recordo dela, casa. Depois que tio Bernardo morreu, tia Olti continuou morando na sua casinha, mas passou a vir em casa: ficava sentada lá no   sofá da sala, sozinha, pois, mesmo sendo solicitadas, minha irmã e eu não tínhamos o que conversar com ela. Além disto, regularmente ela telefonava para nossa casa, onde se travava sempre o seguinte e imutável “diálogo”: - Como vai tudo? - Bem. - E como vão todos? - Bem. - Mas como vai tudo? ... Ela falava com um acento de migrante, que não sei reproduzir, mas que era objeto de chacota, principalmente do meu primo. Porq...