Peia no pé ou a vingança de Tita
PEIA NO PÉ OU A VINGANÇA DE TITA Diana Alencar Começo denunciando o título pretensioso, pois, na verdade, Tita nunca aparentou se aperceber muito de mim, purichê magrinha, que a contemplava de longe, com um temor medroso. Recordo-a orgulhosa, voluntariosa e muito segura de si, locomovendo-se com uma altivez e elegância, alcançada somente por modelos que lapidam a arte de desfilar em infindáveis e exaustivos treinamentos, logo furtados pelo avanço implacável dos anos ou pelos quilos indesejavelmente acumulados e combatidos. Tita não: sem demonstrar o peso dos anos, até vestida de verde e amarelo era a senhora mais elegante dos seus domínios, defendidos com uma ferocidade inigualável, sentida pelos que ousassem se aproximar dos seus espaços de uso exclusivo. Nesta hora, tão qual a Teresa da obra de Jorge Amado, longe se mostrava cansada da guerra, pois descia do salto da sua elegância para proferir impropérios, logo seguidos por bicadas, que faziam corar os mais calejados de...