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Mostrando postagens de junho, 2021

Peia no pé ou a vingança de Tita

  PEIA NO PÉ OU A VINGANÇA DE TITA Diana Alencar   Começo denunciando o título pretensioso, pois, na verdade, Tita nunca aparentou se aperceber muito de mim, purichê magrinha, que a contemplava de longe, com um temor medroso. Recordo-a orgulhosa, voluntariosa e muito segura de si, locomovendo-se com uma altivez e elegância, alcançada somente por modelos que lapidam a arte de desfilar em infindáveis e exaustivos treinamentos, logo furtados pelo avanço implacável dos anos ou pelos quilos indesejavelmente acumulados e combatidos. Tita não: sem demonstrar o peso dos anos, até vestida de verde e amarelo era a senhora mais elegante dos seus domínios, defendidos com uma ferocidade inigualável, sentida pelos que ousassem se aproximar dos seus espaços de uso exclusivo. Nesta hora, tão qual a Teresa da obra de Jorge Amado, longe se mostrava cansada da guerra, pois descia do salto da sua elegância para proferir impropérios, logo seguidos por bicadas, que faziam corar os mais calejados de...

A casa na pandemia

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A casa na pandemia                                 Rita Amorim                                                                             Do alto de meus 54 anos, fiquei pouco tempo seguidamente em casa, depois da minha infância, duas vezes. A primeira porque estava doente e a segunda, agora para não ficar doente(covid-19). Naquela época minha sobrinha disse: “meu Deus, quem vai aguenta Amorim em casa, se quando ela está trabalhando ver tudo, imagina agora”. Escutei e não argumentei. Fiquei refletindo, será que realmente vejo tudo, mesmo? O tempo passou e Vera me mostrou que eu estava certa em interrogar a afirmativa de minha sobrinha. Vera é a diarista que trabalha conosco, faz muito tempo. Nos seus dias de trabalho, ...