Porto mãe
Cinthia Barreto Santos Souza Sou Porto ordinário, sou tempo e lugar de chegada ou de partida. Sou eu. Como posso resistir sendo eu lugar de ancoragem? Partiram todas as náuticas. Visto o horizonte e contemplo o movimento natural das embarcações arrastadas pelo vento suave ou não. Procuro um binóculo para não os perder da paisagem. Não há sequer um bote que me salve da soledade. Estão todos a navegar enquanto sou na minha condição de porto. Porto Seguro? Não permito desconfiança sobre a base que cravei, pedra sobre pedra. Estou firme apesar das tempestades ordinárias. Sou chegada, fui partida. Posso destinar e receber. Parece cômico, uma ironia perversa, dizer que fazer partir é o ponto máximo de magnetismo para um porto. Para quem? Tripulantes ou transporto? Para partir ou para chegar, sou porto. Estarei no mesmo lado de onde nunca arr...