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Diário da pandemia 2: 179º dia, 28ª semana (13 setembro 2020)

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  Eu coloco os dias passados na pandemia na folhinha - como Sexta-feira fez na ilha deserta - como fazem os presos isolados nas paredes de suas prisões.  Porque sou uma prisioneira, numa jaula bonita, clara, iluminada pelo sol e pelo calor humano, mas: prisioneira. Daí marco o tempo: são 179 dias e estou na 28ª semana de prisão. Daí aconteceu um acontecimento fenomenológico que, quando tentei contar para Bella, minha neta, ela disse: -Por que não escreve isto? Daí escrevo: Fui de carro guiando - porque guio, gosto de, e guio muito bem - até Ubatuba, 230 km de casa. Na estrada, - a longa estrada vazia, mas cheia de montanhas, céu enorme, vacas pastando, muitos verdes, lonjura - mas também na minha casa de praia onde permaneci uns 10 dias, o fenômeno ocorreu: a paisagem entrou no meu olho e se fez Um com ele. Primeiro, achei que não estava usando óculos. Coloquei a mão neles, e lá estavam. Portanto, esta transparência e imediatez do fora estavam ocorrendo dentro. ...